


O conceito de economia circular constitui uma resposta ao desejo de um crescimento sustentável no contexto da pressão crescente que a produção e o consumo exercem sobre o ambiente e os recursos mundiais. Até à data, a economia tem funcionado sobretudo com base num modelo linear de «recolha, produção e eliminação», segundo o qual todos os produtos alcançarão inevitavelmente o seu «fi m de vida útil».
Na UE, cada pessoa utiliza cerca de 15 toneladas de materiais por ano, enquanto cada cidadão da UE gera anualmente, em média, mais de 4,5 toneladas de resíduos, sendo quase metade destes depositada em aterros. A economia linear, que depende exclusivamente da extração de recursos, deixou de ser uma opção viável
A transição para uma economia circular redireciona o foco para a reutilização, reparação, renovação e reciclagem dos materiais e produtos existentes. O que era visto como «resíduo» pode ser transformado num recurso.
A melhor forma de entender o conceito de economia circular consiste em analisar os sistemas naturais vivos que funcionam perfeitamente pelo facto de cada um dos seus componentes se encaixar no todo. Os produtos são concebidos intencionalmente para se ajustarem aos ciclos dos materiais e, como resultado, os materiais circulam de um modo que mantém o valor acrescentado pelo máximo de tempo possível, tornando os produtos residuais praticamente inexistentes. A mudança para uma economia circular exige o envolvimento e o empenho de diversos grupos distintos de pessoas. A função dos decisores políticos consiste em proporcionar condições de enquadramento, previsibilidade e confi ança às empresas, reforçar o papel dos consumidores e defi nir o modo como os cidadãos podem assegurar os benefícios das mudanças em curso. As atividades económicas podem redefi nir cadeias de fornecimento integrais, visando a efi ciência e circularidade dos recursos. Esta transição sistémica é apoiada pelo desenvolvimento das TIC e pela evolução social.
A economia circular pode assim criar novos mercados que respondam às mudanças nos padrões de consumo que se afastam do conceito de propriedade tradicional, evoluindo no sentido da utilização, reutilização e partilha de produtos, e contribuindo para a criação de mais e melhores empregos.
A Europa já preparou o terreno para esta transição: «Uma Europa eficiente em termos de recursos» é uma das iniciativas emblemáticas no quadro da estratégia «Europa 2020» que coordena ações em muitas áreas políticas para garantir o crescimento sustentável e a criação de emprego através de uma melhor utilização dos recursos
Política de apoio à transição
A UE já adotou medidas nesse sentido. Foi estabelecida uma hierarquia em relação aos resíduos, dando prioridade à redução e reciclagem dos mesmos. A política relativa aos produtos químicos visa a eliminação progressiva das substâncias tóxicas que suscitam elevada preocupação. Os projetos relacionados com a economia circular são apoiados por fundos europeus. As iniciativas no domínio dos contratos públicos ecológicos, desenvolvidas pelas autoridades públicas, estimulam a procura de produtos e serviços mais ecológicos e incentivam escolhas semelhantes por parte da atividade económica.
Do mesmo modo, a Diretiva «Conceção Ecológica dos produtos relacionados com o consumo de energia» (equipamentos de cozinha e vidros duplos) ajuda as empresas a desenvolverem produtos inovadores com menores impactes ambientais.
A Comissão trabalhará no sentido de criar um quadro favorável à economia circular, que combine regulamentação, instrumentos de mercado, investigação e inovação, incentivos, intercâmbio de informações e apoio a abordagens voluntárias em áreas fundamentais. Para unir estes elementos e associá-los à agenda em matéria de eficiência dos recursos, a EREP instou a UE a defi nir uma meta que assegure um aumento da produtividade dos recursos em mais de 30 % até 2030.
Oportunidades
Medidas como a melhoria da conceção ecológica e a prevenção e reutilização de resíduos podem gerar poupanças líquidas para as empresas da UE de até 604 mil milhões de euros ou de 8 % do seu volume de negócios anual, reduzindo ao mesmo tempo o valor total anual de emissões de gases com efeito de estufa em 2-4 %5.
Em termos gerais, a implementação de medidas adicionais para aumentar a produtividade dos recursos em 30 % até 2030 poderá aumentar o PIB em cerca de 1 %, criando simultaneamente mais de 2 milhões de postos de trabalho em comparação com um cenário de manutenção da situação atual6.
Os cidadãos europeus estão convictos da forte ligação positiva entre o crescimento, o emprego e a eficiência dos recursos.
Um Eurobarómetro recente revelou que uma larga maioria das pessoas acredita que o impacto de uma utilização de recursos mais eficiente teria um efeito positivo na qualidade de vida no seu país (86 %), no crescimento económico (80 %), bem como nas oportunidades de emprego (78 %). Além disso, consideram a redução e reciclagem de resíduos a nível doméstico (51 %) e na indústria e construção (50 %) como a via para causar uma maior diferença na eficiência da utilização dos recursos.
Fonte: igfse.pt
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