


A eficiência energética é um dos pontos chave no combate ao aquecimento global e consequentes alterações climáticas. A nível nacional, e apesar das metas ambiciosas previamente assumidas por Portugal aquando da definição do pacote energia-clima para 2030, a evolução não foi a esperada. De acordo com o Climate Change Performance Index, apresentado pela organização não-governamental GermanWatch e pela Rede Europeia de Ação Climática na Cimeira do Clima de Paris, em Dezembro de 2015, Portugal caiu dez lugares no esforço de combate às alterações climáticas, numa análise feita a 58 países industrializados. Esta queda da 9.ª para a 19.ª posição reflete uma penalização relacionada, em parte, com o desempenho em termos de eficiência energética, já que a quantidade de energia utilizada pelo país não diminuiu ao mesmo ritmo que o produto interno bruto.
A par da revisão dos objetivos nacionais com vista à inclusão de metas mais ambiciosas, no seguimento dos objetivos estabelecidos pelo Acordo de Paris alcançado na COP21, é necessário também apostar numa nova política de consumo responsável, educando os consumidores para uma procura ajustada às suas necessidades reais.
O setor doméstico é responsável, em Portugal, por 27% do consumo de energia elétrica. Numa habitação, os electrodomésticos representam 33% do consumo total de eletricidade, sendo que a utilização incorreta dos mesmos pode aumentar o seu consumo em 40%, segundo o projeto ECOSAVE. Impõe-se, assim, a pergunta: até que ponto a eficiência garantida pela tecnologia é diminuída pelos hábitos incorrectos dos utilizadores?
Há, obviamente, responsabilidades repartidas entre os fabricantes (que devem melhorar a eficiência dos seus equipamentos), os retalhistas (que devem ser transparentes na informação ao consumidor relativa, nomeadamente, à rotulagem energética) e os decisores políticos (que devem comprometer-se com metas ambiciosas e assegurar fiscalização do mercado à luz do seu cumprimento).
Falta, portanto, a responsabilidade do consumidor, ou seja, a sua capacidade e motivação para materializar, na fatura mensal, o selo de eficiência trazido da loja.
Números do projeto ECOSAVE, resultantes de estudos e análises realizadas em laboratório, demonstram o lado oculto de alguns hábitos aparentemente inócuos. Abrir a porta do frigorífico de forma brusca pode fazer aumentar 16% do consumo do mesmo. Regular a arca ou congelador para temperaturas abaixo dos -18º faz o consumo aumentar 1 a 2% por cada grau a menos. No caso do forno, estima-se que sejam precisos 20 minutos para fazer a temperatura cair cerca de 100ºC, pelo que faz todo o sentido o já habitual conselho de desligá-lo 10 a 15 minutos antes do cozinhado estar pronto. Por outro lado, lavar a roupa na máquina a 60ºC pode gastar três vezes mais energia do que um programa de lavagem de roupa a frio.
A falta de informação já deixou, felizmente, de ser justificação viável para deixar de fazer a escolha certa. Na Internet, encontramos vários simuladores que estimam o potencial de poupança pela substituição de equipamentos e alteração de hábitos de consumo: www.ecocasa.pt ou www.ecosave.org.pt.
Cabe-nos, portanto, a todos nós, enquanto consumidores, adotar os comportamentos mais corretos para uma maior eficiência energética, reduzindo as nossas emissões de gases com efeito de estufa e poupando também na fatura energética.
*Sara Campos é Técnica de Comunicação da Quercus
A publicação deste artigo integra-se numa parceria entre a revista Smart Cities e a Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza, com vista à promoção de comportamentos mais sustentáveis.
Fonte: por Sara Campos em www.smart-cities.pt
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